sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
DUÍLIO E MARCELLO, É BREVE A ETERNIDADE
Com atraso, repito em O SER SENSÍVEL a notícia que me chamou à realidade, pois, convocado para desempenhar novas tarefas substantivamente necessárias na vida, me fui distanciando dos amigos e colegas do SLMG, dentre eles Duílio Gomes, meu conterrâneo, de quem sempre fui admirador. Marcello e Duílio, é breve a eternidade! (GR).
Marcello Castilho e Duílio Gomes: A falta que eles fazem
O jornalismo cultural de Belo Horizonte perdeu, na semana passada, dois de seus melhores articulistas. Na terça-feira (1/11), o crítico de cinema e artes cênicas do jornal Estado de Minas, Marcello Castilho Avellar, foi encontrado morto em sua residência. A causa da morte teria sido um enfarto fulminante, aos 50 anos.
No sábado (5/11), morreu o escritor Duílio Gomes, depois de ficar em coma por dois meses em decorrência de um acidente vascular cerebral. Ele tinha 67 anos, foi editor do Suplemento Literário do Minas Gerais e ajudou a organizar a Bienal Nestlé de Literatura. Colaborou no Jornal do Brasil e no Estado de Minas como crítico literário.
Marcello era autodidata, professor de História do Teatro e integrante do Centro de Estudos Cinematográficos. Escrevia como poucos sobre qualquer assunto. Enciclopedista da modernidade, ele abordava temas relacionados à história, política, filosofia e artes em geral – principalmente cinema.
Duílio nasceu em Mariana, formou-se em Direito pela UFMG e ganhou vários prêmios literários. Presente em muitas antologias, publicou O Nascimento dos Leões (Interlivros, 1975), Prêmio Cidade de Belo Horizonte em 1972; Janeiro Digestivo (Comunicação, 1981); Verde Suicida (Ática, 1982); Deus dos Abismos (Lê, 1993), Prêmio Guimarães Rosa; e Fogo Verde (Lê, 1990). Era integrante o grupo de escritores denominado Coletivo 21.
Erudição solidária
Além da erudição despretensiosa, o que mais cativa nos dois articulistas era a solidariedade com que desenvolviam seu trabalho. Como editor do Suplemento Literário, na década de 1980, Duílio abriu portas para muitos colaboradores, alguns dos quais se firmariam nacionalmente como escritores de talento.
Trabalhava sob a superintendência de Murilo Rubião e dividia tarefas com autores como Adão Ventura, Jaime Prado Gouvêa, Manoel Lobato e Paschoal Motta. Além dos jovens talentos que buscavam espaço para publicar seus primeiros textos, o grupo convivia com artistas de várias áreas e com autores nacionais consagrados.
Já Marcello escrevia com extrema objetividade, colocando o tema erudito ao alcance de qualquer leitor interessado. Aqueles que conviveram com ele na redação do Estado de Minas são unânimes em reconhecer não só suas habilidades de articulista, mas também o caráter solidário com que se relacionava com seus pares.
Ele era daqueles que estão sempre prontos para ler e copidescar o texto do colega, burilando a visão estética sem nunca atropelar a ética no exercício da crítica ou da reportagem. Foi capaz de analisar uma partida de futebol realizada no Mineirão sob a ótica do espetáculo, sem entrar no mérito das paixões futebolísticas.
Escola diferenciada
Como homem de teatro, Marcello lecionou na Fundação Clóvis Salgado, na Oficina de Teatro de Pedro Paulo Cava – onde, aliás, se formou – e também na PUC Minas. Dirigiu alguns espetáculos de sucesso, entre eles o monólogo Vincent, de Jefferson da Fonseca, baseado nas cartas dos irmãos Théo e Vincent Van Gogh.
Com sua aguçada sensibilidade de crítico de cinema e de artes cênicas, ele ajudou a consolidar o trabalho de artistas mineiros que hoje têm projeção nacional, entre eles os cineastas Helvécio Ratton e Paulo Thiago, os grupos teatrais Giramundo e Galpão, e as companhias de dança Corpo e 1º Ato.
Marcello Castilho Avellar e Duílio Gomes pertenciam a uma escola diferenciada de críticos de artes. Eram daqueles que não se contentam em analisar as artes de fora, mas desejam contribuir com o fazer cultural a partir de suas visões estéticas propriamente ditas.
Por todos esses méritos como articulistas e homens de cultura, ambos farão falta à cena artística mineira e nacional, principalmente no momento empobrecedor e conturbado em que se encontra a mídia impressa no país.
Jorge Fernando dos Santos é jornalista e escritor
* Artigo publicado no site do Observatório da Imprensa, em O8/11/2011.
Autor: Jorge Fernando dos Santos
Marcello Castilho e Duílio Gomes: A falta que eles fazem
O jornalismo cultural de Belo Horizonte perdeu, na semana passada, dois de seus melhores articulistas. Na terça-feira (1/11), o crítico de cinema e artes cênicas do jornal Estado de Minas, Marcello Castilho Avellar, foi encontrado morto em sua residência. A causa da morte teria sido um enfarto fulminante, aos 50 anos.
No sábado (5/11), morreu o escritor Duílio Gomes, depois de ficar em coma por dois meses em decorrência de um acidente vascular cerebral. Ele tinha 67 anos, foi editor do Suplemento Literário do Minas Gerais e ajudou a organizar a Bienal Nestlé de Literatura. Colaborou no Jornal do Brasil e no Estado de Minas como crítico literário.
Marcello era autodidata, professor de História do Teatro e integrante do Centro de Estudos Cinematográficos. Escrevia como poucos sobre qualquer assunto. Enciclopedista da modernidade, ele abordava temas relacionados à história, política, filosofia e artes em geral – principalmente cinema.
Duílio nasceu em Mariana, formou-se em Direito pela UFMG e ganhou vários prêmios literários. Presente em muitas antologias, publicou O Nascimento dos Leões (Interlivros, 1975), Prêmio Cidade de Belo Horizonte em 1972; Janeiro Digestivo (Comunicação, 1981); Verde Suicida (Ática, 1982); Deus dos Abismos (Lê, 1993), Prêmio Guimarães Rosa; e Fogo Verde (Lê, 1990). Era integrante o grupo de escritores denominado Coletivo 21.
Erudição solidária
Além da erudição despretensiosa, o que mais cativa nos dois articulistas era a solidariedade com que desenvolviam seu trabalho. Como editor do Suplemento Literário, na década de 1980, Duílio abriu portas para muitos colaboradores, alguns dos quais se firmariam nacionalmente como escritores de talento.
Trabalhava sob a superintendência de Murilo Rubião e dividia tarefas com autores como Adão Ventura, Jaime Prado Gouvêa, Manoel Lobato e Paschoal Motta. Além dos jovens talentos que buscavam espaço para publicar seus primeiros textos, o grupo convivia com artistas de várias áreas e com autores nacionais consagrados.
Já Marcello escrevia com extrema objetividade, colocando o tema erudito ao alcance de qualquer leitor interessado. Aqueles que conviveram com ele na redação do Estado de Minas são unânimes em reconhecer não só suas habilidades de articulista, mas também o caráter solidário com que se relacionava com seus pares.
Ele era daqueles que estão sempre prontos para ler e copidescar o texto do colega, burilando a visão estética sem nunca atropelar a ética no exercício da crítica ou da reportagem. Foi capaz de analisar uma partida de futebol realizada no Mineirão sob a ótica do espetáculo, sem entrar no mérito das paixões futebolísticas.
Escola diferenciada
Como homem de teatro, Marcello lecionou na Fundação Clóvis Salgado, na Oficina de Teatro de Pedro Paulo Cava – onde, aliás, se formou – e também na PUC Minas. Dirigiu alguns espetáculos de sucesso, entre eles o monólogo Vincent, de Jefferson da Fonseca, baseado nas cartas dos irmãos Théo e Vincent Van Gogh.
Com sua aguçada sensibilidade de crítico de cinema e de artes cênicas, ele ajudou a consolidar o trabalho de artistas mineiros que hoje têm projeção nacional, entre eles os cineastas Helvécio Ratton e Paulo Thiago, os grupos teatrais Giramundo e Galpão, e as companhias de dança Corpo e 1º Ato.
Marcello Castilho Avellar e Duílio Gomes pertenciam a uma escola diferenciada de críticos de artes. Eram daqueles que não se contentam em analisar as artes de fora, mas desejam contribuir com o fazer cultural a partir de suas visões estéticas propriamente ditas.
Por todos esses méritos como articulistas e homens de cultura, ambos farão falta à cena artística mineira e nacional, principalmente no momento empobrecedor e conturbado em que se encontra a mídia impressa no país.
Jorge Fernando dos Santos é jornalista e escritor
* Artigo publicado no site do Observatório da Imprensa, em O8/11/2011.
Autor: Jorge Fernando dos Santos
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
OS RIOS, poema de Jorge Tufic. Uma maravilha!
OS RIOS
Jorge Tufic
Os rios correm,
Seus nomes são vários e se repetem
de acordo com as margens.
A paisagem e o dom de ver o rastilho
dos cometas na cauda viva dos peixes
também pesa na medida dos nomes,
no ritmo das águas e do horóscopo
das mortes.
Este rio é uma pele que anda.
Uma pele que suga e se expande.
Este rio é uma cobra, veleiro
onde os feitos costuram
suas rotas de lenda.
Os rios correm,
Seus nomes são vários e se repetem
de acordo com as margens.
A paisagem e o dom de ver o rastilho
dos cometas na cauda viva dos peixes
também pesa na medida dos nomes,
no ritmo das águas e do horóscopo
das mortes.
Este rio é uma pele que anda.
Uma pele que suga e se expande.
Este rio é uma cobra, veleiro
onde os feitos costuram
suas rotas de lenda.
domingo, 8 de agosto de 2010
A MINHA RUA, poema de Mário Quintana
A MINHA RUA
Mário Quintana
É uma rua em que tenho o vício
De nunca entrar, e onde eu nunca entrei,
E que vai dar na Babilônia, eu sei,
Ou nalgum porto fenício...
Se eu lá entrasse, seria rei,
Ou morreria nalgum suplício...
Crimes que lá cometerei,
Não deixariam nenhum indício...
Lá não se pensa, mas se responde
Conforme as rimas que um doutro dá.
Exemplo: templo. É o templo onde
O senhor padre me casará
Com a linda filha de algum visconde
Ou do Marquês de Maricá!
(Extraído de A VACA E O HIPOGRIFO
Círculo do Livro, São Paulo, Brasil, 1977, pág. 131.
Mário Quintana
É uma rua em que tenho o vício
De nunca entrar, e onde eu nunca entrei,
E que vai dar na Babilônia, eu sei,
Ou nalgum porto fenício...
Se eu lá entrasse, seria rei,
Ou morreria nalgum suplício...
Crimes que lá cometerei,
Não deixariam nenhum indício...
Lá não se pensa, mas se responde
Conforme as rimas que um doutro dá.
Exemplo: templo. É o templo onde
O senhor padre me casará
Com a linda filha de algum visconde
Ou do Marquês de Maricá!
(Extraído de A VACA E O HIPOGRIFO
Círculo do Livro, São Paulo, Brasil, 1977, pág. 131.
sexta-feira, 18 de junho de 2010
SARAMAGO ETERNIZADO!
Lamentável! Falarei sobre esse escritor imprescindível, atualmente um dos meus preferidos. Abaixo a notícia, conforme veio no google.
Escritor português José Samarago morre aos 87 anos
Saramago recebeu o prêmio Nobel de Literatura em 1998
O escritor português José Samarago morreu nesta sexta-feira em sua casa em Lanzarote, nas Ilhas Canárias, Espanha, aos 87 anos.
Saramago, criador de obras como O Evangelho Segundo Jesus Cristo, A Viagem do Elefante e Ensaio sobre a Cegueira, se tornou, em 1998, o primeiro e único escritor em língua portuguesa a ganhar o prêmio Nobel de Literatura.
O escritor passou recentemente vários períodos hospitalizado devido a problemas respiratórios.
A Fundação José Saramago informou que o escritor morreu às 12h30 (hora local, 7h30 em Brasília) em sua casa em Lanzarote "em consequência de falência múltipla dos órgãos, após uma prolongada doença. O escritor morreu acompanhado pela sua família, despedindo-se de uma forma serena e tranquila", segundo o jornal português.
De acordo com o jornal português Público, o estado de saúde do escritor, que estava doente, era "estável", mas a situação teria se agravado de acordo com o editor de Saramago, Zeferino Coelho.
'Estável'
Saramago nasceu na aldeia portuguesa de Azinhaga no dia 16 de novembro de 1922 e, apesar de se mudar aos dois anos de idade com a família para a capital, Lisboa, a aldeia teve uma importância constante em sua vida e foi citada em 1998, quando Saramago tinha 76 anos de idade, no discurso perante a Academia Sueca pela atribuição do Nobel de Literatura.
Seu primeiro livro foi publicado em 1947, Terras do Pecado, um fracasso comercial que contava a história de um camponês em crise.
O título original proposto por Saramago, Viúva, foi alterado por imposição da editora, que o considerava pouco comercial. Esta seria uma das razões pela qual Saramago resistia a incluí-lo na sua bibliografia.
O romance seguinte, Claraboia, foi recusado pelo editor e permanece inédito até hoje.
O escritor trabalhou então como crítico literário e, a partir de 1968, entrou para o Partido Comunista Português, no qual militou até sua morte.
A partir da década de 60, Saramago também desenvolveu um intenso trabalho jornalístico, trabalhando em jornais em jornais como Diário de Notícias e Diário de Lisboa.
Em 1975 o escritor chegou ao cargo de diretor-adjunto do Diário de Notícias, mas foi demitido naquele mesmo ano e decidiu virar escritor em tempo integral.
Volta à literatura
A partir da década de 80, Saramago lança seus romances mais famosos. É de 1980 o livro que é considerado uma das obras fundamentais do escritor, Levantado do Chão, uma história sobre os trabalhadores da região do Alentejo, que fala sobre assuntos como reforma agrária.
O livro que rendeu fama internacional ao escritor, Memorial do Convento, foi lançado em 1982 e se tornou um dos mais estudados e discutidos trabalhos do escritor.
Em seguida, Saramago lançou outras obras famosas como o Ano da Morte de Ricardo Reis, em 1984, História do Cerco de Lisboa, em 1989.
Em 1991 o escritor lançou um dos mais polêmicos livros de sua carreira, O Evangelho Segundo Jesus Cristo, com uma abordagem polêmica da história de Jesus.
Logo depois do lançamento deste livro, em 1993, Saramago se muda para Lanzarote, devido à oposição ao romance por parte do governo de direita de Portugal, que o considerou ofensivo aos católicos.
O governo do Partido Social Democrata, na época, vetou o romance para o Prêmio Europeu de Literatura.
Em 1995, Saramago lança Ensaio Sobre a Cegueira, que seria adaptado para o cinema pelo cineasta Fernando Meirelles em 2008.
Em setembro de 2008 Saramago lançou seu blog, chamado de O Caderno de Saramago.
Na época, o escritor afirmou que o espaço iria trazer "o que for, comentários, reflexões, simples opiniões sobre isto e aquilo, enfim, o que vier a talhe de foice".
A compilação dos posts de Saramago no blog foi publicada em 2009, trazendo textos nos quais o escritor criticava o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair e o papa.
O último livro de Saramago, Caim, também foi lançado em 2009.
Falando à BBC em junho de 2009, o escritor afirmou que "posso ter três, quatro anos de vida, talvez menos".
"Toda vez que termino um livro, espero por outra ideia, que pode não vir desta vez, vamos ver."
Meu Deus!
Escritor português José Samarago morre aos 87 anos
Saramago recebeu o prêmio Nobel de Literatura em 1998
O escritor português José Samarago morreu nesta sexta-feira em sua casa em Lanzarote, nas Ilhas Canárias, Espanha, aos 87 anos.
Saramago, criador de obras como O Evangelho Segundo Jesus Cristo, A Viagem do Elefante e Ensaio sobre a Cegueira, se tornou, em 1998, o primeiro e único escritor em língua portuguesa a ganhar o prêmio Nobel de Literatura.
O escritor passou recentemente vários períodos hospitalizado devido a problemas respiratórios.
A Fundação José Saramago informou que o escritor morreu às 12h30 (hora local, 7h30 em Brasília) em sua casa em Lanzarote "em consequência de falência múltipla dos órgãos, após uma prolongada doença. O escritor morreu acompanhado pela sua família, despedindo-se de uma forma serena e tranquila", segundo o jornal português.
De acordo com o jornal português Público, o estado de saúde do escritor, que estava doente, era "estável", mas a situação teria se agravado de acordo com o editor de Saramago, Zeferino Coelho.
'Estável'
Saramago nasceu na aldeia portuguesa de Azinhaga no dia 16 de novembro de 1922 e, apesar de se mudar aos dois anos de idade com a família para a capital, Lisboa, a aldeia teve uma importância constante em sua vida e foi citada em 1998, quando Saramago tinha 76 anos de idade, no discurso perante a Academia Sueca pela atribuição do Nobel de Literatura.
Seu primeiro livro foi publicado em 1947, Terras do Pecado, um fracasso comercial que contava a história de um camponês em crise.
O título original proposto por Saramago, Viúva, foi alterado por imposição da editora, que o considerava pouco comercial. Esta seria uma das razões pela qual Saramago resistia a incluí-lo na sua bibliografia.
O romance seguinte, Claraboia, foi recusado pelo editor e permanece inédito até hoje.
O escritor trabalhou então como crítico literário e, a partir de 1968, entrou para o Partido Comunista Português, no qual militou até sua morte.
A partir da década de 60, Saramago também desenvolveu um intenso trabalho jornalístico, trabalhando em jornais em jornais como Diário de Notícias e Diário de Lisboa.
Em 1975 o escritor chegou ao cargo de diretor-adjunto do Diário de Notícias, mas foi demitido naquele mesmo ano e decidiu virar escritor em tempo integral.
Volta à literatura
A partir da década de 80, Saramago lança seus romances mais famosos. É de 1980 o livro que é considerado uma das obras fundamentais do escritor, Levantado do Chão, uma história sobre os trabalhadores da região do Alentejo, que fala sobre assuntos como reforma agrária.
O livro que rendeu fama internacional ao escritor, Memorial do Convento, foi lançado em 1982 e se tornou um dos mais estudados e discutidos trabalhos do escritor.
Em seguida, Saramago lançou outras obras famosas como o Ano da Morte de Ricardo Reis, em 1984, História do Cerco de Lisboa, em 1989.
Em 1991 o escritor lançou um dos mais polêmicos livros de sua carreira, O Evangelho Segundo Jesus Cristo, com uma abordagem polêmica da história de Jesus.
Logo depois do lançamento deste livro, em 1993, Saramago se muda para Lanzarote, devido à oposição ao romance por parte do governo de direita de Portugal, que o considerou ofensivo aos católicos.
O governo do Partido Social Democrata, na época, vetou o romance para o Prêmio Europeu de Literatura.
Em 1995, Saramago lança Ensaio Sobre a Cegueira, que seria adaptado para o cinema pelo cineasta Fernando Meirelles em 2008.
Em setembro de 2008 Saramago lançou seu blog, chamado de O Caderno de Saramago.
Na época, o escritor afirmou que o espaço iria trazer "o que for, comentários, reflexões, simples opiniões sobre isto e aquilo, enfim, o que vier a talhe de foice".
A compilação dos posts de Saramago no blog foi publicada em 2009, trazendo textos nos quais o escritor criticava o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair e o papa.
O último livro de Saramago, Caim, também foi lançado em 2009.
Falando à BBC em junho de 2009, o escritor afirmou que "posso ter três, quatro anos de vida, talvez menos".
"Toda vez que termino um livro, espero por outra ideia, que pode não vir desta vez, vamos ver."
Meu Deus!
quinta-feira, 10 de junho de 2010
POEMAS DE FERREIRA GULLAR, MARIO QUINTANA, DRUMMOND, JORGE DE LIMA E OUTROS
CANTIGA PARA NÃO MORRER
Ferreira Gullar
Quando você for se embora,
moça branca como a neve,
me leve.
Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração.
Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar.
E se aí também não possa,
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina branca de neve,
me leve no esquecimento.
Extraído de
DENTRO DA NOITE VELOZ (1962-1975)
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
MORREU, EM PORTO ALEGRE, O POETA OLIVEIRA SILVEIRA, UM DOS CRIADORES DO DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA
- NOTA de Geraldo Reis -
Oliveira da Silveira
Morreu em Porto Alegre, quinta feira, dia 1º de janeiro de 2009, aos 67 anos de idade, um dos idealizadores do DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA, o poeta, professor, conferencista, pesquisador e político gaúcho Oliveira Ferreira da Silveira. Integrava o Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial. Gaúcho nascido em de Rosário do Sul, em 1941, deixou pelo menos 10 livros publicados, dentre eles Banzo Saudade Negra (1965). Nunca nos vimos pessoalmente e nunca nos falamos. Só agora tomo, infelizmente, contato com a sua poesia que é de qualidade. Fico sabendo pelos jornais que tem pelo menos dez livros publicados, feito memorável nos dias de hoje, quando a poesia é vista com reserva pelas editoras. É desse poeta especial, silenciado para sempre, o poema a seguir, destacado da antologia intitulada
De La Poesia Negra nel Modernismo Brasiliano, de Benedita Gouveia Damasceno.
Palermo: Ila-Palma, 1988.]
Pêlo Escuro
(fragmentos)
Sou a palavra cacimba
pra sede de todo mundo
e tenho assim minha alma
água limpa e céu no fundo.
Meu canto é faca de charque
voltada contra o feitor
dizendo que minha carne
não é de nenhum senhor.
Sou quicumbi e moçambique
no compasso do tambor.
Sou um toque de batuque
em casa de gege-nagô.
Sou a bombacha de santo,
sou o churrasco de Ogum.
Entre os filhos desta terra
naturalmente sou um.
(...)
No sul o negro charqueou
lavrou
carreteou
no sul o negro remou
teceu
o diabo a quatro
o negro no sul congou
bumbou
batucou
a negra no sul cozinhou
lavou
diabo a quatro
no sul o negro brigou
guerreou
se libertou
quer dizer: ainda se liberta
de mil disfarçadas senzalas
prisões
diabo a quatro
onde tentam mantê-lo agrilhoado
(...)
Muito obrigado
pelo ditado
"negro em posição
É encrenca no galpão".
Obrigado pelo preconceito
com que até hoje me aceitas.
Muito obrigado pela cor do emprego
que não me dás porque sou negro...
(...)
Um naco de fumo escuro
negrinho
da tua cor, no monturo
Um toco de pito aceso
negrinho
cor de teu sangue indefeso
(...)
E peço: clareia o rumo
negrinho
de teus irmãos cor de fumo.
(...)
Já fui a palavra canga
sou hoje a palavra basta.
----------------------------------------------------------------------
Dele destaca-se. também, do livro ROTEIRO DOS TANTÃS, o poema abaixo:
ENCONTREI MINHAS ORIGENS
Encontrei minhas origens
em velhos arquivos
....... livros
encontrei
em malditos objetos
troncos e grilhetas
encontrei minhas origens
no leste
no mar em imundos tumbeiros
encontrei
em doces palavras
...... cantos
em furiosos tambores
....... ritos
encontrei minhas origens
na cor de minha pele
nos lanhos de minha alma
em mim
em minha gente escura
em meus heróis altivos
encontrei
encontrei-as enfim
me encontrei
Assinar:
Postagens (Atom)